A UNIÃO DA LITERATURA E A MÚSICA

Maria Cristina Furtado

Constantemente tenho sido questionada pelos meus leitores, crianças e adultos, a responder porque as minhas histórias, atualmente, vêm acompanhadas de poesia e música. Professoras, bibliotecárias, estudantes do curso de letras, de pedagogia e pessoas interessadas em literatura têm me solicitado artigos ou convidado a comparecer nas universidades, em debates, seminários literários, para falar sobre este tema.  

Quando vou aos eventos normalmente tenho uma platéia formada por crianças e pais, assim procuro dar uma resposta reduzida a esta pergunta e digo que sou escritora, mas antes de tudo, uma “contadora e cantadora de histórias” há mais de vinte e dois anos nas estradas brasileiras, apresentando os meus trabalhos em escolas, bibliotecas, clubes, praças, lonas culturais, feiras de livros, comunidades carentes e não carentes, enfim, em todos os lugares onde tenho oportunidade de incentivar a educação e a cultura, com as minhas histórias e presença como autora. Além disso, como sou atriz, autora teatral e compositora, escrevi e encenei diversos musicais infantis e assim, quando produzo minhas histórias infanto-juvenis, meus personagens começam, em determinados momentos, a dizer poesias que aos poucos vão tendo ritmo, melodia e eles passam a dançar e cantar. Dessa forma só posso considerar completa a minha criação quando na história, narrativa, poesia e música estão unidas.
 Mas este artigo é dedicado aos leitores que vêm prestigiando os meus trabalhos e solicitando o meu pronunciamento sobre literatura e música e por isso procurarei dar uma explicação mais detalhada.

Para começar nossa reflexão sobre literatura e música, vamos conceituar literatura, embora toda conceituação seja difícil porque por trás dela encontra-se um pensamento crítico. Mas procurarei definir a partir de dois grandes nomes do século XX:
Jean Paul Sartre: “O poeta sente as palavras ou frases como coisas e não como sinais. A sua obra é um fim e não um meio; uma arma de combate.”
Afrânio Coutinho: “A literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada, através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade.”

 Refletindo sobre essas afirmativas, podemos dizer que literatura é arte e, como tal, um fim, não um meio para se atingir algo. É uma manifestação artística que difere das outras pelo uso da palavra, onde o escritor solta a sua imaginação, reinterpretando a realidade através de seus sentimentos e explorando uma variedade de possibilidades lingüísticas.  Dessa forma, literatura infantil é um lindo passeio no sonho, na fantasia.
Produzir literatura infantil é uma tarefa apaixonante. Leva o escritor a retornar à infância e resgatar sentimentos, lembranças, sonhos, necessidades. Permite que olhe a realidade, captando-a e reinterpretando-a em uma viagem maravilhosa pela imaginação, vivendo outras vidas que não são as suas. É ser uma cigarra, uma borboleta, um boneco, um macaco, um índio, etc, etc.  É ser novamente criança!


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by cassis